O siluro, um peixe-gato gigante que chega a atingir os três metros e a
pesar mais de 100 quilos, está a invadir os rios portugueses, colocando
em risco as espécies nativas. «O siluro é um predador de topo, e come
absolutamente tudo o que lhe aparece à frente», explica o especialista
em peixes da Associação de Conservação da Natureza – Quercus, Paulo
Lucas.
«É uma ameaça tremenda para as espécies
endémicas de peixes, sobretudo espécies muito ameaçadas», alerta Vítor
Almada, biólogo especializado em peixes do Instituto Superior de
Psicologia Aplicada (ISPA).
O tamanho do siluro já chegou a ser confundido com um crocodilo.
A forma como o siluro, originário do Norte da
Europa, chegou a Portugal é ainda desconhecida, mas muitos acreditam
ter sido através de transvases das barragens. O que se sabe é que em
Espanha entrou com a ajuda de um pescador alemão.
«Muitas espécies
exóticas são introduzidas por pescadores que não se apercebem que estão
a colocar em causa a sustentabilidade ambiental dos rios», nota Vítor
Almada, referindo ainda que o peixe gigante tem fortes aliados na sua
conquista pelos rios da Península Ibérica: «Tem uma grande capacidade de
locomoção, de reprodução e vive muitos anos», tendo uma esperança de
vida que atinge os 60 anos.
O responsável da Quercus, por seu
lado, diz não ter dúvidas de que a existência do siluro põe «em causa a
sobrevivência da nossa fauna piscícola». E avisa que a situação não é
ainda mais grave por este animal gigante preferir «águas paradas, como é
o caso das barragens em vez das águas de correntes rápidas», onde se
encontra a maioria dos peixes endémicos do país.
Portugal sem plano de preservação
O
ambientalista sublinha ainda que a ameaça vai aumentar nos próximos
anos, uma vez que nada está a ser feito para proteger os peixes que
vivem nos rios nacionais. «Não existe em Portugal um plano nacional de
recuperação e defesa das espécies endémicas», alerta Paulo Lucas.
fonte: SOL
fonte: SOL
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